terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Existem mulheres tão diferentes entre si, tão afectivamente diferentes. Será que o sabem?

I just call to say I love your films

Creio que a conversa que tive ontem ao telefone com o Salaviza foi das coisas mais valiosas, proveitosas e entusiasmantes que me aconteceu nos últimos tempos. By the way, o seu novo e belo filme, Altas Cidades de Ossadas, está em Berlim e qualquer dia chega ao burgo.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

TARKOVSKY Eterno Retorno - Cine Humberto Mauro




O meu texto para o catálogo da retrospectiva TARKOVSKY Eterno Retorno - 20 janeiro - 9 fevereiro que se encontra a decorrer no Cine Humberto Mauro não podia estar em melhor companhia...

Um catálogo riquíssimo, com textos de gente que admiro. Também uma honra por isso. E até 9 de Fevereiro ainda há filmes e seminários!: http://fcs.mg.gov.br/index.php?option=com_gmg&controller=event&id=2329-tarkovski-eterno-retorno

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

pós-apocalipse



Split (2016, M. Night Shyamalan)


 
O Fantasma (2000, João Pedro Rodrigues)
 
 
 
Seres pós-apocalípticos, vindos/indo de/para outro mundo. Ambos carregando em si um projecto transpersonalista, transcendente e ambíguo.


segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

NÃO CONSEGUES CRIAR O MUNDO DUAS VEZES - Entrevistas




Duas entrevistas que demos recentemente sobre o nosso filme Não Consegues Criar O Mundo Duas Vezes:






"O título do filme está explicado no primeiro teaser do filme que podem ver na nossa página de Facebook, onde, com a voz em off do Ace (Mind Da Gap), entramos no antigo Comix, bar mítico do Porto dos anos 90 que ficava na Rua de Cedofeita – hoje, é um estabelecimento completamente diferente, o que reflecte a tal transformação urbana que também queremos tratar – e onde as primeiras festas de hip hop, às quintas e, mais tarde, aos sábados também, começaram a ser dinamizadas pelo Serial e Ace. O Comix foi o autêntico berço de toda a cultura hip hop no Porto, desde o rap ao deejaying, passando pelo graffiti e pelo breakdance… Toda a gente – quer dizer, os poucos que na altura existiam – se juntava lá para experimentar um bocadinho de cada uma das vertentes. Os Mind Da Gap deram lá alguns dos seus primeiros concertos. O Rodas, que foi o proprietário do Comix e um homem da noite e da cultura alternativa no Porto, também está no nosso filme.
 
O título do filme é sobre isto: a irrepetibilidade das coisas, a impossibilidade de, para o bem e para o mal, podermos voltar atrás, ao início, e refazer o mundo, a história… Isso não é algo necessariamente mau ou triste, pois talvez a beleza maior esteja aí, no facto de os acontecimentos serem únicos, singulares, no tempo exacto em que ocorreram".

sábado, 4 de fevereiro de 2017

ípsilon - Loyle Carner



O rapaz está a sorrir e tem razões para isso: fez um álbum maravilhoso chamado Yesterday's Gone e que, acabadinho de sair, é do mais entusiasmante que vamos poder ouvir em 2017.
No Ípsilon de ontem, escrevo sobre Loyle Carner, uma das melhores coisas que aconteceu à música inglesa (e, particularmente, ao rap inglês) nos últimos tempos.

Artigo on-line: https://www.publico.pt/2017/02/03/culturaipsilon/noticia/decorem-este-nome-loyle-carner-1760427


"É (...) neste relativo estado de anorexia do hip-hop inglês que se saúda entusiasticamente o surgimento de Loyle Carner, rapper londrino que, depois do interessante EP A Little Late (lançado de forma independente em 2014), confirma agora todas as expectativas geradas em seu redor, ele que proporcionou um daqueles felizes encontros entre crítica e público, congregando encómios pelas suas letras introspectivas, poéticas e polidas, sempre apoiadas em instrumentais de sabor soul (que tão bem combina com o timbre da sua voz), cardápio que inclusivamente o levou, logo em 2015, a tocar em Glastonbury".

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Playlist Janeiro - Rimas e Batidas





Muito para ler e ouvir na Playlist de Janeiro (aqui) do Rimas e Batidas.

Atirei-me à “Everything Is Yours”, uma faixa muito recomendável (que podem ouvir ali em baixo) do álbum pouco recomendável no conjunto da Kehlani – “SweetSexySavage”.
 
 *
 
«SweetSexySavage, acabadinho de sair, não é um grande álbum, nem Kehlani tem uma grande voz (e, nos melhores momentos, soa quase sempre a uma versão inferior à de Jhené Aiko, sobretudo em Twenty88, o seu último e excelente álbum colaborativo com Big Sean). Apesar do destaque que tem merecido por parte da imprensa, Kehlani parece ser mais um daqueles casos em que, só pela circunstância de o r&b e o trap estarem hoje na ribalta, qualquer artista que apareça a fazer música nesse registo é de imediato rodeado da maior atenção. Todavia, a californiana consegue, aqui e ali, ir sacando alguns momentos realmente bons, para o que muito contribui a overproduction – aqui até não num sentido negativo, mas no de produções opulentas e bem orquestradas – que a suporta. SweetSexySavage tem muito do r&b contemporâneo mais descartável que se faz actualmente (excepção de primeira água: Alexandria e o seu Rebirth, 2014), e, insisto, noutros tempos (que não nos de endeusamento do R&B em que hoje vivemos), seria rapidamente posta de lado.Ainda assim, a sequência composta por “Personal”, “Not Used To It” e “Everything Is Yours” é um pequeno oásis no meio de tanta chiclet, assegurando 12 minutos realmente prazerosos (vá, “Keep On” também merece louvores).
 
“Everything Is Yours”, em particular, é, talvez, a melhor dessas três canções, um lamento resignado sobre o primeiro amor, esse que doesn’t live here anymore (e que, pormaior decisivo, não é necessariamente o amor ingénuo de juventude, pois pode surgir aos 15 como aos 30). É nessa dualidade, nesse (frágil) balanço entre a saudade por esse amor (“Thinking ’bout things that I shouldn’t be (…) / Missing all that when I shouldn’t be”…) e a aceitação pacífica do seu irremediável fim, visto já à distância, já como “memória”, que reside a força da canção e a sua dimensão semi-trágica – semi porque não há aqui tristeza profunda, nem, porém, optimismo em excesso, apenas conformação. Enfim, apenas a melancolia de lermos, retrospectivamente, uma felicidade extrema nesses momentos idos (que já são “acontecimentos”, “factos” que, numa conversa com alguém, incluiremos nas “relações” que tivemos…) em simultâneo com o reconhecimento de os sabermos já – para o bem e para o mal – definitivamente encerrados. A isto se chama, dizem, “crescer”, “maturidade”, palavras, contudo, que bem poderão, mais tarde, vir a fazer ricochete em nós mesmos: voltaremos algum dia a conseguir dizer a alguém, com o mesmo arrebatamento, com a mesma abnegação… “Everything is Yours”?»

domingo, 29 de janeiro de 2017

It Was All a Dream...


Do visionamento a horas poucas recomendáveis do The Revolt of Mamie Stover – e de um fascínio particular com a primeira sequência do filme – sai a minha última crónica I Wish I Had Someone Else's Face no À pala de Walsh, na qual ando à volta de sonhos e mais sonhos: os meus, os da Jane Russell, os da América.

Quanto ao título (“It Was All a Dream…”), não se enganem: é mesmo da "Juicy” do Notorious B.I.G..

Para ler aqui ao lado (clicar).

“Campo: o rosto de Russell. Contra-campo: São Francisco, a cidade que Russell se prepara para abandonar, a enésima cidade de que parte, vexada e vencida (…). São Francisco nocturna com os seus néons coloridos: cidade-promessa, cidade-tentação. Uma supernova sensual e clandestina insinuando o dinheiro, a corrupção e a promiscuidade (moral, sexual) que Russell tão bem conhece. Campo e contra-campo, então, como sujeitos de desejos absolutamente correspondentes: Russell observa a cidade (…) e esta observa-a a ela; Russell deseja a cidade e a cidade deseja-a a ela. Olham-se mutuamente como dois amantes tragicamente pré-destinados, amor proibido e mal visto pelas convenções sociais”.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Regresso ao Futuro - 25 Janeiro

 
(Cartaz: Cristovão Carvalheiro)
 
Para quem não apanhou na rádio na passada terça-feira, pode agora ouvir o podcast do REGRESSO AO FUTURO no podcast da Antena 3 a partir dos 54m54s: http://www.rtp.pt/play/p442/e270099/rimas-e-batidas
 
Estivemos na companhia, única e exclusivamente, de mulheres: nova-iorquinas, afro-americanas e que, nos campos do hip-hop, do R&B e do chamado new jack swing dos anos 80/90, deixaram um lastro hoje visível na música e na postura de nomes tão diversos, e simultaneamente tão próximos, como Beyoncé, Rihanna ou Azealia Banks.
 
“Gotham Down Deluxe” (2013), “Age Ain’t Nothing But a Number” (1994) e “Kaleidoscope” (1999), de Jean Grae, Aaliyah e Kelis, respectivamente, foram os álbums que ontem passaram pelo REGRESSO AO FUTURO.
 
Ou resumindo nas palavras da Kelis: “This is the good stuff / You don't know this is that good stuff…”.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Artes Entre As Letras - Crítica de cinema



No Artes Entre As Letras que saiu ontem para as bancas, escrevo sobre Allied (é de 2016, mas gostei tanto que quis escrever sobre ele à mesma), O Vendedor e Na Via Láctea.
 
Uma vez que me vi forçado a reduzir substancialmente os textos originais por razões de dimensionamento, deixo aqui agora as versões originais - e mais extensas - dos mesmos.
 
Bons e filmes e boas leituras.
 
 
***


Aliados (2016), Robert Zemeckis ★★★

Sem fazer muito ruído, Zemeckis fechou 2016 com um belo filme que passou, provavelmente, despercebido a muita gente (ou não, atendendo ao chamariz “Pitt-Cotillard” e aos boatos extra-conjugais que rodearam a rodagem do filme). Zemeckis, conhecido por filmes tão diversos como a saga Regresso ao Futuro, Quem Tramou Roger Rabbit? ou Forrest Gump, tem conseguido, a espaços, ir fazendo coisas interessantes dentro da máquina de Hollywood e este seu último filme, sobre uma relação de amor entre espiões durante a ocupação nazi em França, é exemplo disso mesmo.

Aliás, os primeiros planos no deserto são toda uma extravagância para um filme produzido pela Paramount: silenciosos, demorados, “vazios”, planos onde aparentemente “não acontece nada” mas nos quais, na verdade, se joga “tudo” sobre a personagem de Pitt, Max, um homem profundamente solitário, triste (a irmã diz que já não o via alegre há anos) e aparentemente desinteressante (o “porquê” da sua soturnidade não o sabemos e o filme só ganha pontos em manter o véu sobre esse passado). A elegância formal e classicista de Zemeckis nos planos e nos enquadramentos, juntamente com – outra raridade de ver num filme saído de uma major – o tempo que Zemeckis dedica a cada cena, permitem ao espectador ver verdadeiramente o que tem à sua frente, observar, com vagar, as personagens e os ambientes em que elas se movem. E é essa mesma “longa duração” que deixa as próprias personagens respirarem, ganharem espessura, enfim, serem… personagens. Tudo isto tem um nome, um nome esquecido quase em absoluto na linha de montagem actual de Hollywood: cinema, uma coisa que, nessa mesma Hollywood das décadas de 30, 40, 50, efectivamente existia com outros realizadores, ideias e actores (apesar de todos os condicionalismos já então vigentes, desde os mercantis aos legais, i.e., os do Código Hays).

Não menos “extravagante” é, por exemplo, a cena da festa em casa dos Vatan, seguida dos magníficos (e silenciosos, novamente) planos dos convivas a observarem o céu de Londres cruzado pelas bombas nazis, como se de um “fogo-de-artifício” perverso se tratasse, assim se reconstituindo aquele ambiente dreamy de “diversão em tempos de guerra” que sintetiza o trágico da época. Voltando a Max, é a alegria que a entrada de Marianne (enorme presença de Cotillard, tanto ou mais que a sua extraordinária beleza) na sua vida lhe traz que explica o modo como, perto do final, se recusa a ver a verdade dos factos, já depois de voar até ao outro lado da Mancha, de atravessar “rios e mares” para tirar a prova dos nove (solução narrativa muito bem conseguida).

E é neste ponto que o drama está trabalhado a um nível superlativo (virtude do argumento): nada, absolutamente nada nessa “verdade dos factos” invalida a existência de um amor genuíno daquela mulher por aquele homem. Daí o tiro, carregado de culpa, naquela magnífica cena final que cita o Casablanca de Michael Curtiz (o aeroporto, os carros, a chuva, o fog), embora, a bem dizer, Zemeckis passe o filme a emular Curtiz, com a diferença de que, aqui, o percurso seguido é o inverso: começamos em Casablanca e depois vamos para Londres (o lema é, portanto, We will always haveCasablanca). De resto, esse final confirma, de modo paradigmático, o desvio à lógica de estúdio, um sad end que, além de magnificamente filmado, é a solução narrativa mais honesta e credível para o filme no seu conjunto.

 

O Vendedor (2016), Asghar Farhadi ★★★

A sensação com que se fica do último filme do iraniano é a mesma transmitida por O Exame, de Cristian Mungiu: dois realizadores que atingiram o controlo absoluto do seu cinema, da sua “máquina” e respectivas engenharias (especialmente as narrativas), mas que, por isso mesmo, parecem ter cristalizado, encalhado nesse “estado de graça”. Claro que a observação tem o seu quê de injusto, pois fosse algum destes filmes o primeiro das respectivas filmografias e a apreciação seria inevitavelmente outra, mas o certo é que as propostas artísticas também se fazem (e crescem) através das “mudanças de velocidade” que os seus autores lhes imprimem.
 
Tal como nos últimos filmes de Farhadi (o divórcio em Uma Separação; a ameaça do regresso do ex-marido em O Passado), o olhar incide sobre a dinâmica familiar (um casal, novamente) e as repercussões de um concreto acontecimento nos seus afectos e (des)equilíbrios (o passado, uma vez mais, como líquido viscoso sempre a “contaminar” o presente), concluindo-se o filme – naquela que é outra marca registada de Farhadi – num grande “final aberto” em que as certezas sobre os caminhos que as personagens tomarão a partir dali pura e simplesmente não existem. É como se o iraniano, depois de cerzir, meticulosa e “detectivescamente”, o novelo narrativo, depois de juntar, enfim, as peças todas do puzzle (embora nunca as encaixando totalmente, i.e., há sempre actos e motivações que ficam por esclarecer), as atirasse ao ar e incitasse o espectador a tentar saber o que fazer com elas dali em diante.
 
A grande novidade aqui é o dispositivo teatral (a peça Death of a Salesman, de Arthur Miller, que o casal, ambos actores, está a estrear) que o iraniano “põe em cena” paralelamente com a narrativa, numa tentativa – já muito vista e à qual, verdade seja dita, Farhadi não acrescenta nada de novo – de ilustrar como arte e vida, ficção e realidade, se imitam mutuamente, nomeadamente, através do modo como as emoções da “vida real” começam a prolongar-se, a “estalar” em palco e a forçar os actores à improvisação. Enfim, a velha ideia de que viver é, por definição, “improvisar” (ainda o ano passado se viu isto feito, com mais brilho, em As Nuvens de Sils Maria de Assayas).

O mais interessante do filme ainda está na metáfora – que, ainda assim, podia estar trabalhada, reconheça-se, com outra subtileza – sobre um mundo (o Irão, social e moralmente falando) e um casal prestes a desabar, algo que desde a primeira cena, em que um prédio é evacuado sob ameaça de derrocada, é explorado. Repare-se, então, no percurso trilhado: desse apartamento prestes a ruir, o casal muda-se para outro que, parecendo “estável” ou “sólido”, se revelará definitivamente “esburacado”; tudo para, no final, se voltar, pela obstinação vingativa do marido (por oposição ao perdão manifestado pela mulher) ao apartamento inicial, no qual as marcas da derrocada iminente estão mais visíveis do que nunca, autênticas “fracturas expostas” a ameaçar a unidade daquele casal. E, então, a dúvida: cicatrizarão?

 

Na Via Láctea (2016), Emir Kusturica ★★★

Não será certamente o Kusturica dos tempos – ou do nível – de Underground e Gato Preto, Gato Branco, mas é, indubitavelmente, um belo filme aquele que marca o seu regresso após alguns filmes menores. A frase com que o sérvio abre o filme (“Based on three true stories and many fantasies”) é todo um statement sobre o filme e a sua própria obra, uma amálgama de realismo, fantasia, bizarria, cacofonia e humor, sendo na recuperação dessa marca que o cineasta transmite novamente a sua visão da paisagem dos Balcãs e suas estórias.

Todavia, pelo seu carácter fortemente impressivo, essa mesma marca foi sempre  um pau de dois bicos, na medida em que não é fácil conservar a genuinidade dos ambientes “kusturicanianos” de filme para filme, e as cenas festivas delirantes que aqui vemos, por exemplo, acabam invariavelmente por perder, a pretexto de uma certa artificialidade, para as que já conhecemos dos seus trabalhos anteriores. Pelo meio das bombas e das tréguas, sobressai uma enternecedora história de amor entre um homem tristíssimo (interpretado pelo próprio Kusturica) e uma mulher fugida e desterrada (Monica Belluci), os quais, de obstáculo em obstáculo, e ajudados pela natureza e pelos animais (o filme grita “fábula” por todos os cantos), vão, enfim, tentar ser felizes.

O tom caricatural, como se todo o filme fosse uma “brincadeira”, é, obviamente, propositado, espécie de “filme de aventuras” em que o (anti-)herói impede a todo o custo os vilões de roubarem a sua donzela, algo que se, por vezes, deixa o filme no limite do risível, é o que lhe dá a sua graça e candura.



quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

modo de vida



(O Estado das Coisas, 1982, Wim Wenders)

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Era uma carta terrível, escrita por uma mulher doente vencida pela burocracia, uma mulher no limite das suas forças - ou seja, no limite da sua dignidade. Apesar de tudo, não pedia que a ajudassem a sobreviver. Terminava assim: "por favor, ajudem-me a nascer de novo".

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

cardiologia

Falou-me em genética, que tinha herdado da família da parte do pai "problemas do coração".
 
Mal ele sabia que a genética nada pode nesse departamento. Quem não os tem?

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

I was only tryin'...



("Love You", EP Nocturnal, 2016, Roy Woods)

domingo, 15 de janeiro de 2017

onde todos os caminhos vão dar



(Através das Oliveiras, 1994, Kiarostami)

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

De espada na mão (na verdade, um balão azul moldado em forma de espada), o avô faz-se menino outra vez.

Talvez um príncipe, então.

domingo, 8 de janeiro de 2017

"Cinco para Kiarostami"


“Cinco para Kiarostami”: filme-homenagem realizado pelo Vítor Ribeiro e pelo Mário Macedo que abriu o Close-up - Observatório de Cinema de Famalicão.

Uma das coisas que genuinamente me deu mais gosto de participar nos últimos tempos, pela ideia mas, sobretudo, pelas pessoas envolvidas. Foi uma boa tarde aquela.

Eu digo umas coisas lá para os 15m53s.

NOTA: O cartaz do "SHIRIN" que se vê no interior do Nun'Álvares não é um "valor de produção" nem foi colocado lá propositadamente. Num daqueles milagres felizes, é um dos últimos cartazes que está lá esquecido...

Crítica Ípsilon - "December 99th"


No Ípsilon da última sexta, escrevo sobre "DECEMBER 99th", da dupla DEC 99th, composta por Yasiin Bey (o grande MOS DEF) e Ferrari Sheppard. Disco misteriosíssimo para ouvir com a maior atenção.

"(...) duas observações a retirar desta rocambolesca histór ia: a primeira é a de que, ao contrário do que poderia ser expectável, este trabalho é tudo menos “africano” (no sentido genérico e mais imediato que associamos à música feita nesse continente), seja na instrumentação, nas melodias, nos ritmos, enfim, no tom ou na “temperatura”. A segunda, reflexo da anterior, é a de que o trabalho que aqui se encontra, não sendo de hip-hop (provavelmente, os fans mais ferrenhos de Bey, se chegarem sequer a ouvir o álbum até ao fim, não o farão uma segunda vez, um pouco à semelhança do que aconteceu com o «Indicud» de Kid Cudi, em 2013), revela-se sobremaneira abstracto (a um tal nível pouco comum de ouvir no hip-hop americano), poético, misterioso, a espaços mesmo místico (sobretudo na convocação de elementos da Natureza"), e escuro, muito escuro (...)".