quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Os anjos vinham perguntar-nos pelos nomes

"Com que então eu amava Capitu, e Capitu a mim? Realmente, andava cosido às saias dela, mas não me ocorria nada entre nós que fosse deveras secreto. Antes dela ir para o colégio, eram tudo travessuras de criança; depois que saiu do colégio, é certo que não restabelecemos logo a antiga intimidade, mas esta voltou pouco a pouco, e no último ano era completa. Entretanto, a matéria das nossas conversações era a de sempre. Capitu chamava-me às vezes bonito, mocetão, uma flor; outras pegava-me nas mãos para contar-me os dedos. E comecei a recordar esses e outros gestos e palavras, o prazer que sentia quando ela me passava a mão pelos cabelos, dizendo que os achava lindíssimos. Eu, sem fazer o mesmo aos dela, dizia que os dela eram muito mais lindos que os meus. Então Capitu abanava a cabeça com uma grande expressão de desengano e melancolia, tanto mais de espantar quanto que tinha os cabelos realmente admiráveis; mas eu retorquia chamando-lhe maluca. Quando me perguntava se sonhara com ela na véspera, e eu dizia que não, ouvia-lhe contar que sonhara comigo, e eram aventuras extraordinárias, que subíamos ao Corcovado pelo ar, que dançávamos na Lua, ou então que os anjos vinham perguntar-nos pelos nomes, a fim de os dar a outros anjos que acabavam de nascer. Em todos esses sonhos andávamos unidinhos. Os que eu tinha com ela não eram assim, apenas reproduziam a nossa familiaridade, e muita vez não passavam da simples repetição do dia, alguma frase, algum gesto. Também eu os contava. Capitu um dia notou a diferença, dizendo que os dela eram mais bonitos que os meus; eu, depois de certa hesitação, disse-lhes que eram como a pessoa que sonhava.... Fez-se cor de pitanga".


Dom Casmurro, Machado de Assis.Guerra & Paz, pp. 34-35.

Artes Entre As Letras #13 - Crítica de cinema


No último número do Artes Entre As Letras, escrevo sobre Milagre no Rio Hudson do Clint Eastwood e o Cartas da Guerra do Ivo M. Ferreira. Bons filmes.

***

Milagre no Rio Hudson (2016), Clint Eastwood ★★
A maior virtude do último filme de Eastwood acaba por ser, paradoxal e perversamente, o seu mais evidente defeito. Para alguém que, como nós, foi ver o filme sem fazer a mínima ideia do que ele tratava (muito menos dos factos verídicos em que se baseia), a virtude de que falámos assenta no facto de Eastwood (parecer) deixar a porta sempre aberta, no modo contido mas simultaneamente sugestivo como filma (aqueles planos gerais, silenciosos e misteriosos q.b.), para algo pelo qual nunca chega, afinal, a interessar-se (e é pena, tamanho é o desempenho que Hanks arranca): o lado interior de Sully, os fantasmas e angústias que se advinham e que uma ou outra pista indiciam (as dívidas, a distância da família, a solidão). Durante grande parte do filme, o nome de Andreas Lubitz, o piloto que se suicidou despenhando um avião em plenos Alpes franceses, ocorreu-nos inúmeras vezes à memória (insista-se: não fazíamos ideia do argumento), e a própria interrogação (silenciosa, novamente) de Sully ao longo do filme sobre o que é isso de ser um “herói” nos fez levar a crer que aquele acto (a aterragem de urgência no rio) bem poderia não ser o que pareceu. Mas não: Eastwood dispensa-se de qualquer gesto complexo (algo que, mesmo timidamente, ainda chegou a ensaiar em Sniper Americano, outro laudo ao espírito heróico americano), arreda-se de qualquer problematização “existencial”, preferindo ficar-se, muito pacificamente (banalmente), pela reconstituição fáctica do “dia D” (e só os mais aguerridos defensores de Eastwood conseguirão ver qualidades nas fastidiosas cenas da repetição do trajecto do avião), filmando mesmo já no fim, em registo quase de programa “da tarde”, um reencontro entre os “verdadeiros sobreviventes”. “Preguiça” é a melhor palavra que nos ocorre para descrever tudo isto.

Cartas da Guerra (2016), Ivo M. Ferreira ★★★
Não é novidade para ninguém que é ainda escassa a filmografia portuguesa (autoral ou não) produzida sobre o nosso passado colonial (os títulos mais importantes ainda continuarão a ser Um Adeus Português, Non, ou a Vã Glória de Mandar, Os Imortais ou A Costa dos Murmúrios), sem dúvida por opção dos realizadores e por constrangimentos de produção, mas também porque, como vem sendo sublinhado por muitos historiadores, o próprio país tem ainda dificuldade em olhar-se ao espelho e revisitar, sem complexos ou receios de represálias, esse período da nossa história colectiva. Entretanto, Miguel Gomes surgiu, fulgurante, brilhante, com Tabu (2012); mais recentemente, pelo contrário, em Posto-Avançado do Progresso (2016), Hugo Vieira da Silva, pese embora as boas intenções, não conseguiu convencer na adaptação da obra de Joseph Conrad ao contexto colonial português do século XIX, desde logo pelo desaproveitamento do material visual e fílmico à sua disposição, nunca tirando partido do capital natural (e cinematográfico, et pour cause) da selva africana. Ora, isso é algo que manifestamente não acontece no filme de Ivo M. Ferreira, visualmente quase irrepreensível, seja no apuramento altamente contrastante do preto-e-branco (admirável trabalho de fotografia de João Ribeiro), na iluminação ou naqueles poéticos planos gerais e de conjunto da paisagem angolana. Há momentos realmente brilhantes, como as cenas filmadas no navio saído para Angola (aquele God’s eye view shot sobre o médico a dormitar, os concertos para os recrutas), nas quais o realizador português denota uma noção muito precisa da (elegante) mise en scène que pretende. Sendo um filme “sobre” a guerra colonial, teria sempre que ser, necessariamente, um filme “político”, embora seja no cruzamento da “História” com a história individual e emocional de um médico (Lobo Antunes, então ainda não publicado) destacado para Angola que o filme – e a vida – se faz. A este respeito, um dos principais atributos do filme – a matéria textual das cartas de Lobo Antunes  – acaba por ser, paradoxalmente, um dos pontos fracos mais evidentes, não pelo seu conteúdo, naturalmente (embora as enumeração prolíficas, se bem que literariamente valiosas, sejam por vezes fastidiosas, algo que bem poderia ter sido adaptado para o filme), mas pelo recurso abusivo à leitura em off do texto em detrimento do foco na acção propriamente dita. Com a agravante de, por ricochete, a presença de Margarida Vila-Nova – que não a sua voz, magnífica na leitura, nada fácil, das cartas apaixonadas e angustiadas em doses iguais – se tornar decorativa e despicienda, culpa de quem a dirige e não da própria (nem mesmo como “fantasma”, como fantasia ou perturbação onírica funciona). É esse carácter exacerbadamente epistolar que, nos piores momentos (i.e., enquanto a leitura do texto dura e dura sem alternar com a acção em Angola), retira gravidade e esplendor ao filme, ao que não ajuda a câmara sempre em movimento, o que, por vezes, confere um certo tom ornamental e secundário à imagem por oposição ao omnipresente “som-texto”. Nada disto, porém, impede o filme de Ivo M. Ferreira de ser um digno e meritório objecto cinematográfico, orgulhosamente autoral, e um importante contributo para a preservação da nossa memória colectiva.

Artes Entre As Letras #13 - Crítica de cinema


No último número do Artes Entre As Letras, escrevo sobre Milagre no Rio Hudson do Clint Eastwood e o Cartas da Guerra do Ivo M. Ferreira. Bons filmes.

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Milagre no Rio Hudson (2016), Clint Eastwood ★★
A maior virtude do último filme de Eastwood acaba por ser, paradoxal e perversamente, o seu mais evidente defeito. Para alguém que, como nós, foi ver o filme sem fazer a mínima ideia do que ele tratava (muito menos dos factos verídicos em que se baseia), a virtude de que falámos assenta no facto de Eastwood (parecer) deixar a porta sempre aberta, no modo contido mas simultaneamente sugestivo como filma (aqueles planos gerais, silenciosos e misteriosos q.b.), para algo pelo qual nunca chega, afinal, a interessar-se (e é pena, tamanho é o desempenho que Hanks arranca): o lado interior de Sully, os fantasmas e angústias que se advinham e que uma ou outra pista indiciam (as dívidas, a distância da família, a solidão). Durante grande parte do filme, o nome de Andreas Lubitz, o piloto que se suicidou despenhando um avião em plenos Alpes franceses, ocorreu-nos inúmeras vezes à memória (insista-se: não fazíamos ideia do argumento), e a própria interrogação (silenciosa, novamente) de Sully ao longo do filme sobre o que é isso de ser um “herói” nos fez levar a crer que aquele acto (a aterragem de urgência no rio) bem poderia não ser o que pareceu. Mas não: Eastwood dispensa-se de qualquer gesto complexo (algo que, mesmo timidamente, ainda chegou a ensaiar em Sniper Americano, outro laudo ao espírito heróico americano), arreda-se de qualquer problematização “existencial”, preferindo ficar-se, muito pacificamente (banalmente), pela reconstituição fáctica do “dia D” (e só os mais aguerridos defensores de Eastwood conseguirão ver qualidades nas fastidiosas cenas da repetição do trajecto do avião), filmando mesmo já no fim, em registo quase de programa “da tarde”, um reencontro entre os “verdadeiros sobreviventes”. “Preguiça” é a melhor palavra que nos ocorre para descrever tudo isto.

Cartas da Guerra (2016), Ivo M. Ferreira ★★★
Não é novidade para ninguém que é ainda escassa a filmografia portuguesa (autoral ou não) produzida sobre o nosso passado colonial (os títulos mais importantes ainda continuarão a ser Um Adeus Português, Non, ou a Vã Glória de Mandar, Os Imortais ou A Costa dos Murmúrios), sem dúvida por opção dos realizadores e por constrangimentos de produção, mas também porque, como vem sendo sublinhado por muitos historiadores, o próprio país tem ainda dificuldade em olhar-se ao espelho e revisitar, sem complexos ou receios de represálias, esse período da nossa história colectiva. Entretanto, Miguel Gomes surgiu, fulgurante, brilhante, com Tabu (2012); mais recentemente, pelo contrário, em Posto-Avançado do Progresso (2016), Hugo Vieira da Silva, pese embora as boas intenções, não conseguiu convencer na adaptação da obra de Joseph Conrad ao contexto colonial português do século XIX, desde logo pelo desaproveitamento do material visual e fílmico à sua disposição, nunca tirando partido do capital natural (e cinematográfico, et pour cause) da selva africana. Ora, isso é algo que manifestamente não acontece no filme de Ivo M. Ferreira, visualmente quase irrepreensível, seja no apuramento altamente contrastante do preto-e-branco (admirável trabalho de fotografia de João Ribeiro), na iluminação ou naqueles poéticos planos gerais e de conjunto da paisagem angolana. Há momentos realmente brilhantes, como as cenas filmadas no navio saído para Angola (aquele God’s eye view shot sobre o médico a dormitar, os concertos para os recrutas), nas quais o realizador português denota uma noção muito precisa da (elegante) mise en scène que pretende. Sendo um filme “sobre” a guerra colonial, teria sempre que ser, necessariamente, um filme “político”, embora seja no cruzamento da “História” com a história individual e emocional de um médico (Lobo Antunes, então ainda não publicado) destacado para Angola que o filme – e a vida – se faz. A este respeito, um dos principais atributos do filme – a matéria textual das cartas de Lobo Antunes  – acaba por ser, paradoxalmente, um dos pontos fracos mais evidentes, não pelo seu conteúdo, naturalmente (embora as enumeração prolíficas, se bem que literariamente valiosas, sejam por vezes fastidiosas, algo que bem poderia ter sido adaptado para o filme), mas pelo recurso abusivo à leitura em off do texto em detrimento do foco na acção propriamente dita. Com a agravante de, por ricochete, a presença de Margarida Vila-Nova – que não a sua voz, magnífica na leitura, nada fácil, das cartas apaixonadas e angustiadas em doses iguais – se tornar decorativa e despicienda, culpa de quem a dirige e não da própria (nem mesmo como “fantasma”, como fantasia ou perturbação onírica funciona). É esse carácter exacerbadamente epistolar que, nos piores momentos (i.e., enquanto a leitura do texto dura e dura sem alternar com a acção em Angola), retira gravidade e esplendor ao filme, ao que não ajuda a câmara sempre em movimento, o que, por vezes, confere um certo tom ornamental e secundário à imagem por oposição ao omnipresente “som-texto”. Nada disto, porém, impede o filme de Ivo M. Ferreira de ser um digno e meritório objecto cinematográfico, orgulhosamente autoral, e um importante contributo para a preservação da nossa memória colectiva.

terça-feira, 27 de setembro de 2016

The Searchers




O The Sunchaser, do Cimino, como o The Searchers, do Ford.

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

The Divine Feminine




"We" (c/ CeeLo Green), álbum The Divine Feminine (2016). Mac Miller.

Nunca tive um apreço especial por Mac Miller, por nenhuma razão particular que valha a pensa desenvolver. O certo é que, embora venha passando por entre os pingos da chuva, The Divine Feminine é um dos álbuns que melhores recordações deixará este ano, apanhando um artista em absoluto estado de graça. 10 canções, 10 declarações de amor de um tipo completamente apaixonado por uma miúda.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Sopa de Planos - Chapéus / Jacquot de Nantes

 
 
Voltei a co-confeccionar a Sopa de Planos e, desta vez, o meu ingrediente é uma boina, a do Jacques Demy e a que o meu pai me punha em miúdo.
 
 
 
"Morro de amores por Jacquot de Nantes, um dos mais belos filmes de Agnès Varda, um dos mais belos filmes da história do cinema. A última vez que o revi tinha Varda por perto – quer dizer, a umas dezenas de cadeiras ao meu lado –, o que reforçou ainda mais a sensação, que tive desde a primeira vez que o vi, de o filme ser um bocadinho também “meu”, por nele me rever enquanto miúdo. Os meus pais, o meu prédio, as brincadeiras com os meus vizinhos, mas, sobretudo, por esse pormenor sem o qual o meu pai não me deixava sair à rua: a boina. Uma boina orgulhosamente basca que o meu pai me punha onde quer que fossemos, sobretudo nos passeios de bicicleta (nos quais eu dormia abundantemente na cadeirinha de trás) pelos bosques de terriolas perto de Vila do Conde até chegarmos à praia (momento em que o sono desaparecia num ápice). Por isso, o registo biográfico de Demy no filme encontra-se com a minha própria “biografia”, sendo este um dos casos em que o “metermo-nos dentro do filme” (como um dia disse Jean-Marie Straub) não me traz angústias nem ansiedades; alguma nostalgia, sim, mas, acima de tudo, a ideia de que, por vezes, a vida é tão feliz no ecrã como fora dele".

explosões controladas



Se as Montanhas se Afastam (2015), Jia Zhang-ke.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

burning


 
 
"Burning Eyes", álbum Love Is a Hurtin’ Thing (2015). Gloria Ann Taylor.

I'll even do wrong for you


 
 
"That's All Right With Me", álbum From A Whisper To A Scream (1971). Esther Phillips.

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

I Wish I Had Someone Else's Face #5: Quem quer (mesmo) voltar à Terra do Nunca?

 
 
Dores de crescimento: mais precoce ou mais tardiamente, todos as temos (uns mais, outros menos). É sobre elas e sobre Big (1988), com um Tom Hanks ainda tenrinho, que escrevo no último número da minha crónica I Wish I Had Someone Else’s Face.

Para ler no À pala de Walsh (clicar).
 
 
"Hanks é uma espécie de “último moicano”, anti-herói que, vivendo e actuando no mundo dos adultos, conserva a sua infantilidade e respetiva forma de estar, evitando, assim, ser “assimilado” pela “classe” etária em que se insere (e os códigos que ela pressupõe), no que o filme ensaia uma espécie de grito contra a formatação a que, nas nossas vidas, nos vamos progressivamente submetendo, simultaneamente mostrando simpatia por todos os “inadaptados” que, por um motivo ou outro, são tradicionalmente olhados de lado. Todavia – e aqui se inicia o tom pragmático do filme a que aludimos acima –, à medida que o tempo passa, Hanks começará a “adultizar-se”, seja pelo fato e gravata que passa a utilizar ou pelo stress e irritabilidade (motivados pelo trabalho na empresa) que começa a acusar e que, inclusivamente, o afastam de Billy, seu melhor amigo de infância e o único que está ao corrente da sua metamorfose"
 
(Excerto)
 

a fugir do plano


The Quiet Man (1952), John Ford.

 
(Um plano nada habitual em Ford, embora isso seja o menos importante aqui).


O Sabor da Cereja (1997), Abbas Kiarostami.

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

"António, lindo António" - Folha de sala

 
 
António, lindo António (2015), de Ana Maria Gomes, filme vencedor do Curtas Vila do Conde deste ano, passa hoje no Cinema Passos Manuel, pela mão do Porto/Post/Doc.
 
A folha de sala que escrevi para a sessão pode ser lida aqui (clicar).

terça-feira, 6 de setembro de 2016

ao contrário

- Olha o cem anos de solidão...
(silêncio)
- Este livro... Na altura, foi uma cambalhota para mim.
(silêncio)
- Porquê, papá?
- Comecei a pensar ao contrário...

It's rare I know you love me



"Silkk Da Shocka", álbum The Sun's Tirade (2016). Isaiah Rashad.

"I know you love me
It's rare I know you love me
But yeah I know you love me
It's rare I know you love me"


"Imani Vol. 1" (2015)

 
 
Não sei como é que isto me passou ao lado no ano passado, mas passou.
 
Não é o Nia, o Blazing Arrow ou o The Craft (sobretudo nas letras; já a produção continua maravilhosa); mas, passados dez anos de silêncio (desencontros criativos, doença, projectos alternativos, enfim, a vida a correr), Imani Vol. 1 (2015) não deixa de ser um grande regresso dos Blackalicious, um dos meus grupos predilectos e que continuam, aqui, a fazer música com uma marca única, indiferentes a tendências e conveniências – é ver a lista de convidados (ou a falta deles). E quão "oportuno" teria sido voltar com um Lamar ou um Chance como ‘sidekicks’ mediáticos...

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Você já tá pra lá de Marrakesh


"Qualquer Coisa", álbum homónimo (1975). Caetano Veloso.

cumulação

O feitio também pode ser defeito.