sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Artes Entre As Letras #15 - Crítica de cinema



No último número do Artes Entre As Letras, escrevo sobre O Exame, de Cristian Mungiu, um dos melhores filmes que 2016 nos deu (é uma versão mais extensa do texto que escrevi para a Medeia Magazine, pág. 3).

***

Depois do brilhante Para Lá das Colinas (2012), que escolhemos mesmo como o melhor filme estreado por cá em 2013, Mungiu “desce” de Deus e do cimo dos montes para a realidade terrena do dia-a-dia de uma família romena em desintegração acelerada. O olhar sociologicamente perscrutador de Mungiu – partilhado pelos seus colegas da chamada “nova vaga” romena (Cristi Puiu, Corneliu Porumboiu, Radu Muntean, só para citar alguns), importantíssimo movimento surgido nos primeiros anos deste século – mostra-se mais aguçado do que nunca, sem embandeirar, porém, em statements políticos fáceis nem se preocupando em encontrar vítimas ou culpados numa qualquer lógica de “bem e mal”, nos seus filmes e nas suas personagens ecoando sempre a célebre e renoiriana afirmação de que “Chacun à ses raisons”.

Como em todos os filmes do romeno, cada acontecimento narrativo é uma caixa de pandora imprevisível que, numa lógica matrioska, vai espoletando uma série de acontecimentos subsequentes e que se influenciam reciprocamente sem que as personagens os consigam controlar, antes se vendo na necessidade de remediar consequências não desejadas e apagar as pontas soltas. É a partir do incidente com Eliza, a filha de Romeo, que um conjunto de eventos se precipita e faz entrar definitivamente em erupção todos os problemas e mal-entendidos adormecidos daquela família “à beira de um ataque de nervos” – da família mas não só, pois os seus problemas estão intrinsecamente ligados aos de toda uma sociedade ou, se quisermos, de uma “grande família” chamada Roménia (a teia de acontecimentos “familiares” a formar-se, entrecruzadamente, com a teia da corrupção na escola, no hospital, na polícia).

Um dos maiores pontos de interesse do cinema de Mungiu é o modo como os seus filmes se alicerçam sempre num princípio de, digamos, “dúvida metódica”: nem as personagens, nem o espectador têm alguma vez a certeza absoluta dos factos e das motivações de cada um, por mais que os dispositivos “de investigação” até sejam colocados em cena, e esse é o trick irónico e deveras inteligente utilizado pelo romeno (exemplo paradigmático é o print screen que Romeo pede aos polícias, cinefilamente evocador do Blow-Up de Antonioni). Dúvida, essa, que naturalmente adensa o mistério em que os seus filmes nos submergem e que jamais nos deixa: donde vêm (ou para… onde “vão”?), afinal, aquelas pedras (com uma eventual ressonância bíblica)? E terá a atitude de Matei (o filho de Sandra) na cena com Romeo no parque alguma a coisa a dizer sobre isso?

Em registo realista paredes-meias com o melodrama, a realidade particular da família de Romeo funciona apenas como o “laboratório” para uma reflexão mais abrangente sobre a sociedade romena, os seus ressentimentos, os seus complexos, os seus anseios. No caso, e mais do que o papel dos pais na educação dos filhos, o romeno capta a visão descrente de uma geração (a dos pais de Eliza, que é, note-se, sensivelmente a mesma de Mungiu…) sobre uma Roménia pós-comunista mais rica e justa, uma total desesperança de que ainda é possível mudar algo para melhor quando eles próprios (a geração de Romeo) não o conseguiram (e, pior, se renderam ao estado das coisas). Daí o “ir para fora”, a “Europa” (perspectiva interessante que nos faz lembrar a nós, europeus, como, apesar de tudo, ainda vivemos num local bem agradável) e os “Kensington Gardens” do “primeiro mundo” que Romeo não se cansa de lembrar à filha, de a fazer ver como o seu país “não é para novos” (pressão já explorada em filmes como Occident ou Para Lá das Colinas).

Mas, uma vez mais, a dúvida: será unicamente pelo futuro da filha que Romeo deseja a sua partida ou não será apenas essa a forma de arrumar o assunto familiar e começar, finalmente, uma nova vida com a amante? At the end of the day (e, não sendo um dia, o filme passa-se em pouco mais do que isso), todos fazem o seu exame, todas passam por testes e provas de resistência, sendo que, para Mungiu, e ao contrário do que se ouve Romeo dizer à filha, os resultados são aquilo que menos interessa. O Exame é um dos grandes filmes de 2016.



Boi Neon (G. Mascaro)
★★★
Cafe Society (W. Allen)
★★★
O Ornitólogo (J. P. Rodrigues)
★★★
O Bosque de Blair Witch (A. Wingard)
★★
Tão Só o Fim do Mundo (X. Dolan)
A Toca do Lobo (Catarina Mourão)
★★★★
O Exame (C. Mungiu)
★★★
Arrival (D. Villeneuve)
★★
Victoria (S. Schipper)
★★★
Elle (P. Verhoeven)
★★★

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Regresso ao Futuro #2: Los Angeles




No REGRESSO AO FUTURO de ontem na Antena 3, fomos até Los Angeles na companhia das encantadoras The Teen Queens e do "chicano" Kid Frost, de quem ouvimos os seus LP’s Eddie My Love (1957) e East Side Story (1992), respectivamente.

Podem ouvir tudo no podcast abaixo, a partir dos 53m39s. We’re sending you back… to the future!
 

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Regresso ao Futuro - HOJE





O segundo episódio do REGRESSO AO FUTURO é emitido mais logo à noite na Antena 3, entre a 1h e as 2h da manhã.

Iremos até Los Angeles aconchegar-nos com o calor da soul dos anos 50 e do hip-hop dos anos 90. Até lá, podem ouvir o jingle de abertura. We're sending you back... to the future!

domingo, 27 de novembro de 2016

Actualizar a casa



Ora bem, aqui fica uma actualização dos últimos dias:

- Reportagem sobre o concerto-patuscada de apresentação de Cimo de Vila Velvet Cantina, o novo álbum dos Corona, para o Rimas e Batidas (aqui);

- Três textos sobre outros tantos filmes que escrevi para o Porto/Post/Doc, que se iniciou hoje (1, 2 e 3);

- Crítica no ípsilon / Público da passada sexta-feira a Black America Again, o último e excelente álbum de Common, um dos meus heróis de juventude (acolá).

domingo, 20 de novembro de 2016

Crítica - "Cimo de Vila Velvet Cantina"



No ípsilon da última sexta-feira, escrevo sobre "Cimo de Vila Velvet Cantina", o terceiro álbum do Conjunto Corona. Uma grande pândega que, se ainda não conhecem, devem conhecer.

A crítica também pode ser lida on-line aqui (clicar). o álbum audível ali ao lado (clicar).

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Crítica - "Toda a Gente Pode Ser Tudo"



Hoje escrevo no ípsilon sobre o Toda a Gente Pode Ser Tudo, o novíssimo álbum de NBC e um dos melhores que a música portuguesa nos deu este ano.

Bom proveito.

[Errata: na p. 29, onde se lê "conotados com o rap contemporâneo", deve ler-se "conotados com o TRAP contemporâneo"]

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Crítica - "Se Eu Fosse..." (2012)



Se vos dou dose dupla de Virtus, é porque o homem é realmente bom (novo eufemismo). Há concerto esta sexta-feira no Plano B, no Porto.
 
Até lá, a republicação da minha crítica (clicar),  originalmente de 2012, a um magnífico álbum de hip-hop exclusivamente instrumental, a soar hoje tão bem ou ainda melhor do que quando foi editado.
 
 
«O título do disco completa-se com o título de cada uma das faixas, resultando no desejo naïf de Virtus em ser, por exemplo, “Manhãs de 90”, “Tentação”, “Pugilista” ou “Suspiro”. E por aqui já se vê o ambiente de nostalgia (soul music, pois claro) que perpassa todo o álbum, onde parece a todo o momento que estamos de volta a um qualquer passado, a um tempo remoto mais belo, mais doce – a infância (e Virtus é um ser “peterpanesco”, como já se sabia de “Outros Modos” e como o artwork deste álbum o comprova), naturalmente, mas também os primeiros amores (“Quase nós”), os primeiros sonhos e as primeiras frustrações. De resto, esta sensação back in the days está chapada em muitos dos títulos das faixas: “Manhãs de 90”, “Outra vez Primeira vez”, “Um regresso”, “O tempo”».
 
(Excerto)

Crítica - UniVersos (2012)




Nem tudo é mau. Há o UniVersos (2012), por exemplo, o álbum do Virtus editado em 2012.

O porquê de eu o ter em tão boa conta (eufemismo) podem encontrar logo nos primeiros parágrafos deste artigo (clicar), que republica a crítica que escrevi em 2012.
 
 
Quando se pensou na republicação desta crítica aqui no Rimas e Batidas (originalmente publicado no site Rua de Baixo, em 2012), cheguei a equacionar reformulá-la. Mas não, decidi não o fazer (exceptuando pormenores de ordem formal): as coisas – as memórias, os gostos, os gestos – têm o seu tempo e, se aconteceram de determinada forma, é dessa forma que devem ser preservadas, para o bem e para o mal (motivo pelo qual ficam desde já ressalvadas quaisquer desactualizações).
 
UniVersos, quanto a mim um dos mais importantes discos da música portuguesa da última década (e se emprego este tom generalizante, é absolutamente propositado), já completou quatro anos. Muitas vezes, perguntam-me que razões encontro para o álbum ser pouco ou nada falado a sul do país (tenho muitos e bons amigos  dessas paragens ouvintes de rap que o desconhecem em absoluto). Duas, talvez: o facto de que, em 2012, o hip-hop não estava, nem de perto nem de longe, “a bater” como hoje (meu deus, como as coisas mudaram em apenas quatro anos…); depois, porque Virtus e o seu rap são “de outro tempo”, i.e., não se alimentam de “likes”, “hashtags” e “visualizações”. Os beats e, sobretudo, as letras de Virtus são matéria sensível, cuja apreciação exige tempo, atenção, reflexão. Por isso, caro leitor, se não tem tempo, não vá por aqui, não vale a pena.
 
Hoje, se me debruçasse sobre a mesa, faria uma crítica completamente diferente da que então escrevi, quer na forma, quer, sobretudo, no conteúdo (designadamente, não traçaria um paralelo, em termos liricais, entre Virtus e Sam The Kid). Não só porque, em 2016, sou necessariamente uma pessoa diferente da que era em 2012 (e, naturalmente, penso e escrevo igualmente de outra forma), mas, também, porque hoje escuto e olho para UniVersos de outro ângulo, naturalmente mais amadurecido em virtude das múltiplas – coloquem o símbolo do infinito como expoente – audições que fiz do álbum nos mais variados contextos: em casa, na rua, no carro, no comboio; sozinho ou com outros apreciadores (Tavares, quantas noites por baixo do prédio a escutar e a reflectir em conjunto pela madrugada fora…); mostrando-o a pessoas que não conheciam ou que nem sequer são consumidores de hip-hop; no Porto, em Lisboa, no estrangeiro; numa tarde quente de praia ou numa sombra junto ao rio no Gerês… UniVersos é, juntamente com Pratica(mente) (e esta coincidência não há-de ser puro fruto do acaso…), o disco que mais escutei na minha vida.
 
Volto ao início: mas não. Quero que, hoje, quem ler esta crítica a leia como eu na altura senti o disco, com todas as virtudes e defeitos daí decorrentes. Ainda sobre o paralelo com Sam The Kid: compreendo agora que, à data, só o fiz porque, dentro das minhas referências pessoais, era o único nome do hip-hop português que eu encontrava para, utilizando o efeito reverencial da citação, provar a grandeza de Virtus e chamar a atenção dos mais distraídos. Todavia – e um crítico devo ter isto sempre presente –, é sempre a música que fala acima de todo e qualquer exercício analítico, é sempre a música que está primeiro. Por isso, nenhuma crítica deste mundo ilustrará melhor a erudição, o autorismo, a poética e o génio de Virtus do que a sua obra – algo que a classificação que aqui lhe atribuo, a primeira que alguma vez na vida dou a um disco, procura atestar. UniVersos, Uni-Versos, União de Versos: se é certo que é no recato de casa que se digerem verdadeiramente as grandes obras, que isso não impeça ninguém de ouvir o concerto-“despedida” do álbum no dia 11 de Novembro, no Plano B, no Porto. Sim, despedida, porque 2017 está aí à porta e Virtus trará, tudo indica, novidades das boas.
 
***
 

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Crítica - "O Ornitólogo"



A minha crítica a O Ornitólogo, o último filme de João Pedro Rodrigues, já pode ser lida no À pala de Walsh (clicar). Aproveitem, o filme ainda está em sala.

"O tema da metamorfose, eixo central da sua obra desde o estrondoso O Fantasma, é novamente posto em cena no seu último filme, aqui ao ponto literal de, efectivamente, se dar uma transformação (já não, portanto, apenas como metáfora), uma milagrosa “mudança de pele”, no caso, de um homem em carne e osso que se volve em santo (a segunda convocação do padroeiro de Lisboa na obra de JPR depois de Manhã de Santo António, 2012). E metamorfose, também, ao ponto extremo de esta veicular uma certa dimensão meta-cinematográfica, no sentido em que envolve o realizador, JPR ele mesmo, nesse processo transformativo (...)".

(Excerto)


domingo, 30 de outubro de 2016

domação



(O Touro Enraivecido, 1980, Martin Scorsese)

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Artes Entre As Letras #14 - Crítica de cinema



O último número do Artes Entre As Letras saiu ontem para as bancas, e nele escrevo sobre o Julieta (de que gostei muito) e o Fogo no Mar (assim assim). Bons filmes.
 
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Julieta (2016), Pedro Almodóvar ★★★
É, definitivamente, o regresso de Almodóvar à sua boa forma, não ainda àquela que fez dele um dos mais importantes cineastas contemporâneos (por filmes como Carne trémula ou Todo sobre mi madre), mas indubitavelmente carregando as marcas do seu melhor cinema (para contrabalançar, a música, quase sempre em registo jazzístico, está perfeitamente desajustada do tom do filme).
 
A partir de contos da nobelizada Alice Munro, aqui adaptados para a história de uma mulher cuja filha desaparece sem deixar rasto, somos de novo imersos no vibrante universo almodovariano: personagens de carne e osso, complexas, cheias de mistérios (Marian, a empregada de Xoan, por exemplo) e assombrações (num trocadilho cinéfilo, poder-se-ia aqui citar o Julieta dos Espíritos de Fellini); a atenção aos pormenores, narrativos ou visuais, que vão ressoando simbolicamente ao longo do filme; a atmosfera chabroliana de tensão e de que algo adormecido – e trágico – pode despertar a qualquer momento; enfim, a elevação do melodrama a um género poderosíssimo (algo desde sempre favorecido pelas cores e temperaturas quentes dos seus filmes) em que as personagens, nas suas vidas “normais” e aparentemente comezinhas, se transcendem (numa palavra: bigger than life).
 
Falámos em Chabrol, mas é óbvio que Almodóvar sempre teve igualmente uma costela hitchockiana, desde logo na obsessão por personagens interpretadas por mulheres e pelas suas multiplicidades, dissimulações, desaparições. Se um título como The Lady Vanishes (filme de Hitchcock de 1938) é literalmente transponível para a personagem da filha de Julieta, Vertigo ecoa, indisfarçavelmente, no desdobramento de Julieta (loira como Kim Novak) em “duas” mulheres, correspondentes aos períodos “pré” e “pós” desaparecimento (e quão simples, mas poderoso e comovente, é o momento “transformativo” em que se dá essa transição).
 
Mas hitchockiano, também, pela omnipresença do tema da Culpa, que Julieta carrega penosa e masoquistamente quando nenhum motivo existe para tal (a mesma que o seu pai carrega pela troca da esposa acamada pela empregada mais nova): nem para o suicídio do homem do combóio, nem para a morte pouco ou nada clara do marido, tão-pouco para a partida da filha (e esta é, justamente, a grande opressão da Culpa, a de não nos conseguirmos abstrair e perceber como nada justifica que nos massacremos com determinado assunto). É essa sua característica capacidade de descer – e compreender – aos infernos da alma humana que Almodóvar volta a explorar com uma enorme sensibilidade, fazendo-nos entrar nas vidas de personagens que ficam connosco muito para lá do filme.
 
 
Fogo no Mar (2016), Gianfranco Rosi ★★
Aborrecido, árido, desenxabido. Os adjectivos com que muitos (e nós próprios) qualificaram Sacro GRA, o documentário anterior de Rosi e vencedor do Leão de Ouro em Veneza 2013, são transponíveis para a primeira hora do seu último filme (por sua vez laureado com o Urso de Ouro na Berlinale deste ano), no qual o italiano assenta arraiais na ilha de Lampedusa para fazer três filmes: um sobre a tragédia dos refugiados que aí aportam, outro sobre o quotidiano de um miúdo sobrinho de um pescador local, outro ainda sobre um radialista de “discos pedidos”.
 
Se dizemos “três filmes” é justamente para enfatizar a justaposição demasiado forçada desses três objectos, os quais se funcionam, por si só, muito bem (não tão bem o do radialista, embora se aproveite a música popular italiana, como a que dá título ao filme, que este toca e que serve de banda sonora), nunca chegam a funcionar harmoniosamente em conjunto, mesmo que neles se queira eventualmente ver um retrato da Lampedusa – e, metonimicamente, da Europa – actual, onde eventos tão diversos, tão tragicamente diversos, coexistem a poucos metros uns dos outros. É que, a ser assim, Rosi dá um tiro no pé, pela sugestão que deixa de que, afinal, os dramas de uns não afectam coisíssima nenhuma as vidas de outros, com excepção da do médico (e se se argumentar que esse era precisamente o efeito politicamente pretendido, então porquê filmar, como Rosi filma, o rapaz e o radialista com tamanha ternura e bonomia?).
 
De qualquer forma, e retomando o que acima dizíamos, na segunda hora do filme, Rosi descola – conscientemente ou não – do registo monolítico e inconsequente (e mesmo “televisivo” ou “de repórter”, de certa forma) e voa, finalmente, para um olhar interessante e enfim cinematográfico sobre os seus (três) objectos. Algumas das mais impressionantes imagens da actual – mas sempiterna – crise de refugiados estão neste filme (que Rosi, porém, jamais se permite de filmar de modo boçal ou gratuito), embora seja nessa imagem simbólica e bem menos explícita que se resume o Trágico: as lágrimas vermelhas, de sangue, que escorrem dos olhos de um refugiado espancado pelo seu opressor, esse fio vermelho que tinge as lágrimas como o fogo tinge o mar.

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Regresso ao Futuro na Antena 3 - 26 Outubro

 
 
Já podem ouvir aqui (clicar) o podcast do primeiro episódio do Regresso ao Futuro, que passou à 01h00 de hoje na Antena 3. A partir dos 52m44s, com a simpática introdução do Rui Miguel Abreu. O som e a edição são do Pedro Sancho Pires.
 
Toquei e falei sobre o Máscara (2006, Expeão) e o UniVersos (2012, Virtus), dois discos monumentais da história do hip-hop português: o primeiro celebra, actualmente, 10 anos com concertos ao vivo; do segundo realizar-se-á um concerto de "encerramento" no dia 11 de Novembro no Plano B, no Porto.
 
We're sending you back... to the future!

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

"Regresso ao Futuro" na Antena 3

 
 
A partir da próxima semana, e em todas as últimas quartas-feiras do mês, tomo conta da segunda hora do programa de rádio Rimas e Batidas na Antena 3, com uma nova rubrica a que dei o nome de Regresso ao Futuro. Comigo a pilotar este carro-nave estará o Pedro Sancho Pires, responsável pelo som e edição e a quem agradeço por poder contar com a sua disponibilidade e talento. O primeiro “regresso” é já na próxima quarta-feira, 26 de Outubro, entre as 01h00 e as 02h00!
 
Nesta notícia (clicar), explico um pouco mais sobre o programa e a forma que lhe pretendo dar. Já sabem, próxima quarta-feira... apertem os cintos!

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

vermelho de sangue



(Fuocoammare, 2016, Gianfranco Rosi)

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

não há mais marés que marinheiros



(Julieta, 2016, Pedro Almodóvar)

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

I Wish I Had Someone Else's Face #6: A lei do Desejo é a lei de Lee Remick


 
Fiquei assim meio que obcecado com a Lee Remick no Wild River do Elia Kazan. Como não vivemos no mesmo país, e uma vez que já não se usam cartas, dediquei-lhe a minha última crónica, que ela poderá ler confortavelmente num portátil onde quer que esteja. Do sempre teu, Francisco.
 
 
 
"Wild River é um dos filmes mais subtilmente eróticos da história do cinema – ou, simplificando, um dos mais eróticos filmes de sempre (a subtileza é, em si mesma, uma propriedade erótica). E a esmagadora fatia desse erotismo tem a sua origem e o seu fim no extraordinário rosto de Lee Remick, o qual, até em momentos de angústia e aflição, permanece sempre luxurioso. Sim: até quando sofre, até quando chora (como quando, por exemplo, pergunta a Clift, entre lágrimas mas em tom insinuante, se ele sabe o que Walter lhe fez na noite anterior quando ele se foi embora), Remick é, toda ela, sensualidade, um rosto com tanto de determinação como de submissão (eroticamente falando, claro), de firmeza quanto de rendição".

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Pull out your heart / To make the being alone / Easy


 
 
"Easy", álbum Lanterns (2013). Son Lux.

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Sobre "The Divine Feminine"

 
 
O Rimas e Batidas celebra uma marca redonda nas redes sociais e pediu-me um artigo para comemorar a efeméride a partir do número 6. Para mim, foi um bom pretexto para escrever, com prazer, sobre o The Divine Feminine a partir da faixa - já adivinharam - número 6.
 
Para ler aqui (clicar).
 
 
"(...) The Divine Feminine é um soco – dos bons – no estômago dos cínicos, uma chamada à razão, o antídoto perfeito contra a mais viperina gota de cinismo. São 10 canções, 10 cartas de amor – algo raro ou mesmo único num álbum de um rapper – de um tipo completamente apaixonado por uma miúda que compõem um álbum-testemunho de um artista (e do homem por detrás dele) em absoluto estado de graça – com a vida, com a sua arte (e aqui Miller canta mais do que rappa, naquele seu jeito próprio, com a boca de lado, meia fechada), com a sua miúda (embora o álbum tenha começado a ser feito ainda Miller namorava com outra pessoa)".